terça-feira, 10 de abril de 2012

(quando você sai
eu esqueço quem sou
perco o rumo
perco prumo
e sumo dentro de mim)

Eu queria escrever sobre mim, mas sempre acabo escrevendo sobre você.
Talvez eu tenha me perdido em seus braços, diluído entre seus lábios, desaparecido em nossa história.
Talvez eu nunca tenha existido realmente, senão pra você, e por isso todas as minhas memórias antigas parecem tão vagas.
Vai ver é por isso eu vivo tão bem à sua sombra, como uma planta de inverno que não precisa de sol pra fazer fotossíntese.
Minha síntese é você. Eu me sinto em você. E me sento ao seu lado como se ali fosse minha casa.

Sossego

Não tenha pressa, querida
Eu não vou a lugar nenhum
Vou te esperar no fim do dia
Te preparar um café
Quando a noite estiver fria, vou te abraçar
E você pode se deitar no meu peito quando precisar chorar
Vou beijar seus olhos ao amanhecer
E sua boca, não importa o mau hálito
Vou emaranhar seus cabelos com meus dedos
Habitar seu ventre pálido (entre lençóis)
E deixar o sol arder em nós
Como um velho hábito

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Quem diria

Vocês não podiam imaginar esse fim
Feridos, mal se lembram dos sorrisos
Hoje suprimidos por um constante mau-humor
As discussões são garoa fina
Que logo se transformam em tempestade
E quando um relâmpago lhe atinge o rosto
O gosto do sangue invade a boca
Cujo céu foi um dia o lar
Das estrelas que brilhavam em seus olhos
Dos sonhos antes compartilhados
Agora submetidos à separação de bens
Restaram apenas promessas não cumpridas
As fotografias estão rasgadas como o seu coração
Partido e esquecido em outra estação
(em algum trem que também já partiu)
O choro engasgado na garganta
Já rouca de tanto entoar palavrões
Destoa das declarações que você adorava ouvir
Em ligações aparentemente intermináveis
Mas que enfim terminaram
Com uma mensagem fria na caixa postal.

terça-feira, 20 de março de 2012

Desculpa por não enxergar com seus olhos, por não ouvir a voz do seu coração. É que meu coração às vezes grita tão alto que eu fico surda, e meus olhos transbordantes de água ficam cegos. Minha alma é calejada por minhas próprias quedas, minhas feridas mal cicatrizadas ainda sangram. Perdoa então minha arrogância, por pensar que nós somos iguais. Pois tem dias que eu me odeio tanto, que se assim fosse, eu não poderia amá-lo jamais.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Meus olhos

Fonte de água clara
Estrela que se move
Nuvem que dissolve
Espelho que embaça
Cristal que se estilhaça
Em suas mãos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Como conquistar uma mulher

Deixa-me em transe
Trava-me a língua
Tira-me o sono e sonha comigo
Censura meu bom senso
Advinha o que eu penso
Diga ser meu
E depois suma

Liga-me tarde da noite
Com uma voz rouca e polida
Fala pela metade
Que minha vontade duplica
Coma-me pelas bordas
Para não queimar a língua
Caça minhas palavras
Liga os pontos e desliga

sábado, 13 de agosto de 2011

Poesia quando cala

Poesia quando cala deixa o coração pesado
A garganta se fecha pras palavras
E os sonhos, escravos do passado
Dissolvem-se no abismo de uma mente estéril

Não há ponteiros nos relógios
Nem mistérios do destino
O tempo passa em silêncio
E a gente nem sente a alma dormente (dormindo)

A boca parece que resseca
Não há saliva e consequentemente não há beijo
O peito se contrai, mas se trai
Assassina o romance com um “tanto faz”

As canções de amor parecem todas iguais
A tristeza se distrai com a transa
A saudade se acomoda como um hóspede
Mas a casa permanece vazia

As cortinas dos olhos se fecham para o sol
E até o céu já não é azul como antes
Mas ainda existe uma luz  que entra pelas frestas das janelas
Que revela um amanhecer remoto
Pois mesmo do sono mais profundo
A alma um dia acorda

Poesia quando cala, transborda.