Minha memória se perdeu:
Quem era eu antes de ser seu?
Como conquistar uma mulher
Deixa-me em transe
Trava-me a língua
Tira-me o sono e sonha comigo
Censura meu bom senso
Advinha o que eu penso
Diga ser meu
E depois suma
Liga-me tarde da noite
Com uma voz rouca e polida
Fala pela metade
Que minha vontade duplica
Coma-me pelas bordas
Para não queimar a língua
Caça minhas palavras
Liga os pontos e desliga
Poesia quando cala
Poesia quando cala deixa o coração pesado
A garganta se fecha pras palavras
E os sonhos, escravos do passado
Dissolvem-se no abismo de uma mente estéril
Não há ponteiros nos relógios
Nem mistérios do destino
O tempo passa em silêncio
E a gente nem sente a alma dormente (dormindo)
A boca parece que resseca
Não há saliva e consequentemente não há beijo
O peito se contrai, mas se trai
Assassina o romance com um “tanto faz”
As canções de amor parecem todas iguais
A tristeza se distrai com a transa
A saudade se acomoda como um hóspede
Mas a casa permanece vazia
As cortinas dos olhos se fecham para o sol
E até o céu já não é azul como antes
Mas ainda existe uma luz que entra pelas frestas das janelas
Que revela um amanhecer remoto
Pois mesmo do sono mais profundo
A alma um dia acorda
Poesia quando cala, transborda.
A garganta se fecha pras palavras
E os sonhos, escravos do passado
Dissolvem-se no abismo de uma mente estéril
Não há ponteiros nos relógios
Nem mistérios do destino
O tempo passa em silêncio
E a gente nem sente a alma dormente (dormindo)
A boca parece que resseca
Não há saliva e consequentemente não há beijo
O peito se contrai, mas se trai
Assassina o romance com um “tanto faz”
As canções de amor parecem todas iguais
A tristeza se distrai com a transa
A saudade se acomoda como um hóspede
Mas a casa permanece vazia
As cortinas dos olhos se fecham para o sol
E até o céu já não é azul como antes
Mas ainda existe uma luz que entra pelas frestas das janelas
Que revela um amanhecer remoto
Pois mesmo do sono mais profundo
A alma um dia acorda
Poesia quando cala, transborda.
Efêmera
Sou Madalena arrependida
Apedrejada em praça pública
Joana D’arc na fogueira
Impudica feiticeira, eu sou
Salomé de João Batista
Com uma cabeça na bandeja
Cleópatra dividida
Entre os homens de Roma e o império do Egito
Sou o grito da donzela
O gozo da prostituta
Minha conduta é suspeita
Sou puta mas sou de virgem
Afrodite, Deusa do amor
Sou as mulheres de Atenas
Sou centenas em uma só
Brigitte Bardot, Marilyn Monroe
Sou a esperança que não voltou da guerra
O holocausto dos Judeus
O ceticismo dos ateus
O adeus que precede a morte, eu sou
Bailarina na caixa de Pandora
A senhora de José de Alencar
Carlota Joaquina, Iemanjá
Ana Bolena e sua irmã traída
Sou as Marias dos Joaquins
As dançarinas dos botequins
Colombina sem Arlequim
A tristeza que inspira
O suspiro que arrebata
O frenesi que arrepia, eu sou
Apenas mais um verso
Em uma poesia que acabou.
Cemitério de bonecas
O sol se põe na cidade de túmulos e os fantasmas acordam com a lua. Ela sente o vento encerrar paredes à sua volta, retendo o eco da morte que vibra entre o farfalhar das folhas secas e o uivo distante dos lobos sedentos por sua carne.
Ela é boneca de porcelana presa na prateleira mais alta de uma estante. Uma boneca de porcelana com um coração que só serve para sangrar, mas que jamais experimentou qualquer uma dessas sensações arrebatadoras de amor e paixão que os livros contam e as canções cantam. É boneca de porcelana covarde, que se submete à humilhação de ser brinquedo de alguém quando pode simplesmente atirar-se da estante para o chão.
Não imaginam os lobos – esse lobos sedentos por sua carne – que ela é feita de vidro amolado e amargo, e que devorá-la no mínimo lhes esfolaria os lábios. Com seus olhos vítreos, ela observa – e observar é sua sina – as lápides e as lápides lapidam seu olhar (como um pêndulo). Sente inveja dos mortos, cujas almas mesmo penadas vagam livremente entre os vivos; enquanto ela (boneca amaldiçoada) é voodoo que existe apenas para provocar sensações, mas nada sente.
Em algum lugar nesse mundo alguém deve sofrer sua dor e sentir os pregos que criavam seu espírito, porquanto ela – há muito – tem a sensibilidade de um leproso.
Só-lene (Pobre garota rica)
Ela não olha pra baixo
É com o salto que esmaga os obstáculos
Só olha pra trás pelo retrovisor
Do Honda Cívic que comprou a vista
Pra cima ela também não olha
Não quer nenhum Deus importunando sua vida
Pra frente, não tem escolha
Mas paga caro por uma paisagem limpa
Sem favelas porque não gosta de pobreza
Sem plantas porque não gosta de mosquitos
Sem vizinhos porque não gosta de barulho
Ela pensa em ser como o sol
Que acorda e dorme sozinho
E nem por isso brilha menos
- mas diamantes são gelados.
- mas diamantes são gelados.
Assinar:
Postagens (Atom)
